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- DO ATO DE ARRUMAR ARMÁRIOS, LIVRAR-SE DE CAIXAS E FRAGMENTOS –
Em cada papel rasgado constava um telefone de alguém que nem me lembro onde conheci ou se vivo estará. Cadernos com vagas informações, poemas de quem há cinco, seis anos eu bebi junto mas devido á tarefa de nosso ilustre senhor do destino hoje apenas faz-se como companheiro de frascos de perfumes vazios, revistas antigas, carnês, fitas K7, apostilas em um pequeno canto de um saco de supermercado.
Vale então como analogia para com as pessoas que eu amo e o ato de ter discos, livros, e cd´s bem próximos. Observo e contemplo o mesmo afeto trazendo todas estas referências e inspirações e metáforas apaixonantes. Quando pisco para Dostoievski, Fante e Salinger sinto a vontade de estar bem próximo aos meus entes queridos [consultando é claro, minha lista devidamente SELETA ]. Deparando-me aqui com a mais do que necessária materialização do âmago.
Kafka e Wilde emocionados me olham e cumprimentam-me agradecendo por cada texto de administração devidamente dilacerado por estas mãos as quais exacerbam a seleção. As canções naquele momento faziam-me confortar e limpar o cômodo onde reside a preocupação de existir apenas materiais de IMPORTÂNCIA.
Sinto-me leve e os olhos tranqüilos dizem adeus para os contra-cheques antigos, guardanapos, recibos de cursos, passageiros no caminho. Agora a fase de renovação, as caixas preferi deixar lá fora [sorry, Pandora!]. Em dois dias me livrei e consegui reduzir tudo aos meus interesses. Restam apenas ainda ingressos de shows, peças e bilhetes de cinema, os fantasmas já se foram e agora devem habitar qualquer periferia de um depósito da Comlurb. Revistas empilhadas, anotações recentes, minhas cópias apenas do que vou estudar daqui pra frente, tudo límpido...
... E em algum lugar tampas de caneta, agendas, recortes, jornais e endereços sorriem e dizem para quem no presente encontra-se na mesma situação :
- Fomos apenas rabiscos de um breve, muito breve tempo...
Escrito por Mozer às 14h29
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